sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Como me encanto comigo!











Olho-me ao espelho
Nunca estive tão bonita como hoje.
Sinto uma admiração crescer dentro de mim,
Como se fosse a pessoa mais importante do universo.
Contente comigo própria,
Saio à rua, bela a sensual,
Com o meu vestido brilhante,
E sapatos de brilhantina,
Meu ar confiante, demonstra a beleza de meus passos,
Como se as pedras que piso,
Tivessem que pedir licença aos meus pés.
Meu ar encantador, domina tudo o que existe em mim.
Sem medo, avanço pela rua,
Metida comigo própria.
Minha mente divaga, por meu corpo,
Por minha perfeição...
Todos me olham admirados,
E continuo a passear-me,
À espera que alguém fale da minha beleza,
Mas ninguém me diz nada.
Meu corpo quase perfeito,
Contorna a esquina da rua,
E então, um sentimento incompleto,
Começa a dominar-me.
Vejo apaixonados de mãos dadas,
Num amor quase completo e repleto de sentido.
Vejo pessoas idosas passeando,
Com um ar de felicidade estampado no rosto.
E eu, que sempre me admirei
Que nunca procurei outro amor, que não eu própria,
Deixo-me abater por um sentimento de solidão.
Revejo então, os dias que passei em minha companhia,
Os risos disfarçados pelas conversas comigo própria,
Os sentimentos de amor eterno que nutri apenas por mim,
E então, uma onda de paz toma conta de mim,
Enquanto avanço destemida pela rua,
E penso que minha beleza nunca terá fim.

PREGUIÇA

Vamos dançar?










Meu corpo começa a mover-se
Ao som de uma melodia.
Primeiro, lentamente, depois mais ritmado.
Tu pagas-me na mão e juntos acertamos o compasso.
Começo então a flutuar nos teus braços,
Em rodopios de pura adrenalina e excitação.
Teu suor aos poucos mistura-se com o meu,
E começo a sentir-me embriagada de alegria.
Mais uma volta, e o mundo começa a girar.
Meu pensamento concentrado nos teus passos,
Não se desliga, e lá vamos nós,
Como se nossos corpos, já não nos obedecessem mais.
Sinto-me então, a entrar num outro mundo,
Num universo paralelo cheio de luzes brilhantes.
Já perdi o contacto com a realidade,
Entregue completamente em teus braços.
Nossos pés vagueiam uns pelos outros,
E o ritmo avança,
E sem temor, lá vamos nós em suaves rodopios
Dominados por uma respiração ofegante,
O cansaço, nada quer connosco,
Sentimo-nos até mais energéticos, e mais uma volta.
Agarras-me então na mão, e fazes-me girar em torno de ti.
A música termina,
E tu olhas-me bem dentro dos meus olhos
E apenas perguntas-me: “Vamos dançar?”
E eu, timidamente estendo-te a minha mão,
E lá vamos nós,
Para mais um acto de pura magia.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Vigio os teus passos!









Vejo-te do outro lado da rua,
E mal sabes tu, que vigio os teus passos,
Que observo atentamente o teu ar atrevido
E quase omnipotente.
Teu andar seguro, pisa as pedras da rua
Que reclamam sempre a tua atenção.
Reparo então, todos os olhares virarem-se para ti,
Quando por breves momentos paras
E olhas na minha direcção, sem me veres.
Meu coração bate descompassadamente,
Enquanto afastas uma mecha de cabelo
Que te cobre a face, em movimentos claros e precisos.
Sinto-me a derreter por dentro,
Como se meu corpo, entrasse em ebulição
E fico estática olhando-te
Sem conseguir disfarçar a minha timidez.
Tu sorris, num sorriso quase perfeito,
Que não esconde teu ar sedutor.
Então, num impulso destemido, sorrio-te de volta.
Tu viras-te e segues teu caminho,
Deixando no ar, um sentimento de magia.
E eu, perdidamente apaixonada,
Olho-te mais uma vez,
Para quando a noite cair,
Sonhar contigo e mais uma vez
Esperar-te no dia seguinte,
E voltar a vigiar teus passos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Remorsos...




Onde estou eu que já não me encontro,
Perdi-me neste mundo sem chão,
Nesta vida desatinada.
Meus sonhos foram submersos,
Dominados por minha própria sorte.
Abusei dos outros,
Daquilo que tentaram me transmitir,
E fiquei agora sozinha.
Quis ter tudo, a acabei sem nada.
Quis construir o meu universo,
E apenas me restam as pedras,
Que atirei aos outros, sem pensar.
Domina-me uma solidão imensa,
Quando vejo tudo o que perdi,
Não por amor, ou por desejo,
Apenas por ambição do que não podia ter.
Maldisse os outros, inventei palavras vãs,
Pensei que era mais por isso,
Mas agora vejo, perdida em mim,
Que perdi mais que ganhei.
E sozinha, não posso mais lutar.